Quem quer vender pela internet esbarra sempre na mesma trava: sabe que quer começar, mas não sabe exatamente por onde.
O Ecommerce brasileiro faturou R$235,5 bilhões em 2025, segundo a ABComm.
O mercado cresce, mas começar sem estrutura tem um custo real: você gasta tempo e dinheiro apagando incêndios que poderiam ter sido evitados.
Neste guia, você vai encontrar os 10 passos para vender um produto pela internet, do produto até a primeira venda, incluindo como escolher o canal certo e os erros que travam quem está começando.
Pronto para começar do jeito certo?
Índice:
Por que vender produtos pela internet?
O Ecommerce brasileiro já é um mercado que fatura bilhões todos os anos. Mas os números de mercado são só o contexto. Para quem está começando, três vantagens práticas importam mais.
A primeira é o alcance: com uma loja virtual, você vende para alguém em São Paulo, no Recife ou em Porto Alegre sem precisar de um segundo endereço físico;
A segunda é o custo de entrada: abrir uma loja online exige muito menos do que alugar um ponto comercial, sem aluguel fixo nem estoque mínimo obrigatório;
A terceira é a flexibilidade: sua loja funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem depender de você estar presente.
Ana Clara Magalhães, especialista em marketing e redes sociais, resume o que muda na prática:
"Com o digital, você não só tem investimentos menores como também corre menos riscos, porque pode fazer testes para validar o negócio."
Ana Clara Magalhães — Especialista em marketing e redes sociais
Validar antes de escalar é exatamente o que este guia vai te ajudar a fazer.
↪️ Leia também: Produto único: entenda como vender monoprodutos na internet
Como vender produtos pela internet: 10 passos para começar
Os dez passos abaixo formam uma sequência lógica, em que cada um prepara o terreno para o próximo.
Veja:
1. Defina o que você vai vender
Antes de qualquer decisão de canal ou plataforma, existe uma pergunta mais básica: o que você vai vender?
Existem três caminhos principais:
Fabricar: produto artesanal ou sob encomenda; maior controle sobre diferenciação e margem, mas exige mais tempo de produção;
Revender: compra de atacadistas ou distribuidores com repasse de margem; menor risco inicial, porém mais concorrência por preço;
Dropshipping: você anuncia, o fornecedor envia direto ao cliente; elimina o risco de estoque parado, mas a margem tende a ser menor.
Independentemente do caminho, um critério não pode ser ignorado: demanda real de mercado.
Produto sem demanda não vende, independentemente de como é posicionado.
2. Identifique seu público-alvo e escolha um nicho
Saber para quem você vai vender é tão importante quanto saber o que vender.
Sem essa clareza, a comunicação fica genérica e o custo de aquisição de cliente (CAC) sobe sem motivo aparente.
Nessa pesquisa de mercado, você vai mapear potenciais nichos pra sua loja.
Nicho de mercado é o recorte de produto e público no qual seu negócio vai atuar.
Ele pode ser bem amplo, ou bem específico; desde que haja demanda.
Alguns dos erros que as pessoas mais cometem na hora de fazer essa pesquisa de mercado é escolher um nicho só porque ele está em alta, ou porque se tem afinidade.
3. Pesquise o mercado e seus concorrentes
Com produto e público definidos, antes de montar qualquer estrutura, pesquise quem já vende o mesmo que você e como está fazendo.
Isso não é copiar. É aprender antes de gastar.
Analise os concorrentes diretos no Google e nas redes sociais.
Veja os comentários dos clientes deles: são um mapa das dores e objeções do seu público. Entenda como estão precificando.
A pesquisa precisa responder a quatro perguntas:
Existe demanda real pelo produto?
Há espaço para um novo entrante?
Qual é o ticket médio praticado?
O que os clientes reclamam nas avaliações?
4. Formalize o negócio como MEI
Vender pela internet sem CNPJ é possível para os primeiros passos, mas tem limites concretos.
Você não consegue emitir nota fiscal, tem acesso restrito a meios de pagamento e passa menos credibilidade para fornecedores.
O MEI para Ecommerce (Microempreendedor Individual) resolve essa equação com custo acessível: mensalidade de R$75 por mês e limite de faturamento de R$81 mil por ano.
O cadastro é feito pelo Portal do Empreendedor em minutos.
5. Escolha seu canal de vendas
Canal de vendas é onde sua loja vai existir: onde o cliente vai te encontrar, ver seus produtos e comprar.
As três opções principais são a loja virtual própria, os marketplaces (Mercado Livre, Shopee, Amazon) e as redes sociais.
Cada uma serve a objetivos diferentes.
A escolha certa depende principalmente do tipo de produto: se ele já tem demanda ativa ou se você vai precisar criar essa demanda.
Ainda vamos falar mais sobre essa decisão neste artigo, então continue lendo! 😉
Sua vitrine online é o primeiro contato do cliente com a marca. A decisão de confiar em você, ou não, acontece nos primeiros segundos de navegação.
Comece pelo nome: precisa ser memorável, de fácil pronúncia e disponível como domínio e nas principais redes sociais.
Uma identidade visual coerente, mesmo que simples, reforça essa percepção desde o início.
Além disso, as fotos dos produtos têm peso direto na conversão.
Um smartphone com boa câmera, fundo neutro e iluminação natural já entregam imagens competitivas para a maioria dos segmentos.
Para as descrições, fale dos benefícios antes das características técnicas.
O cliente não compra "tecido 100% algodão com 180 fios". Ele compra conforto e algo que não amassa.
7. Defina o preço dos seus produtos
Custo do produto não é preço de venda. Esse é o erro mais comum, e o que mais corrói margem sem o lojista perceber.
O preço de venda precisa cobrir todos esses elementos:
Custo do produto;
Frete de entrada;
Taxas da plataforma ou marketplace;
Impostos (MEI incluído);
Custos operacionais;
Margem de lucro desejada.
Quem não inclui todos esses itens no cálculo só percebe que estava vendendo no prejuízo quando o caixa não fecha.
Emerson Duarte, professor do Ecommerce na Prática, explica o objetivo real da precificação:
"A missão é precificar da melhor forma possível para que essa margem de contribuição seja suficiente para pagar, cada vez mais rápido, os meus custos e atingir o ponto de equilíbrio, porque aí depois é que o negócio começa a ficar viável."
Emerson Duarte — Professor do Ecommerce na Prática
8. Organize estoque e logística
Estoque mal gerenciado é capital parado. Produto em falta na hora que o cliente quer comprar é venda perdida.
Se você está começando, não precisa de sistema complexo. Uma planilha simples de entrada e saída já é suficiente. O ponto crítico é criar o hábito desde o início.
Na logística, a embalagem vai além de proteger o produto.
É o primeiro contato físico do cliente com a marca, e a experiência de abrir o pacote influencia diretamente a probabilidade de recompra.
Yasmin Menegoi, fundadora da YSY Acessórios, mostra o que diferencia quem tem reputação:
"Todos os clientes falam do nosso unboxing. Eles dizem que parece que estão recebendo um presente. A gente coloca nosso cheirinho, escreve à mão o nome do cliente no cartão, manda brindes e organiza tudo bonitinho na caixa. Isso aproxima muito, porque a pessoa se sente realmente querida e lembrada."
Yasmin Menegoi — Fundadora da YSY Acessórios
9. Invista em divulgação para atrair os primeiros clientes
Loja pronta, produto cadastrado, preço definido. Agora falta a parte que muitos deixam por último: fazer com que as pessoas certas te encontrem.
O orgânico, via conteúdo nas redes sociais e SEO, constrói tráfego sem custo por clique, mas leva mais tempo.
O pago, via Google Ads e Meta Ads, traz resultado mais rápido, mas exige gestão de orçamento.
Para quem está começando, o caminho mais seguro é começar pequeno: testar um criativo de cada vez e escalar o que estiver gerando resultado.
No Ecommerce, é um dos principais fatores que transformam primeira compra em recompra.
Esteja presente nos canais onde seu cliente está: WhatsApp, direct do Instagram, e-mail.
A velocidade de resposta importa: cliente que não recebe atenção rapidamente vai para o concorrente.
O contato ativo após o pedido, informando status e rastreamento, reduz dúvidas e aumenta a confiança na marca.
Loja virtual, marketplace ou redes sociais: qual canal escolher?
Escolher o canal de venda parece uma decisão operacional, mas ela tem peso estratégico.
Marketplace, loja virtual e redes sociais têm papéis diferentes dentro de um mesmo negócio.
Veja nossas dicas:
Priorize a loja virtual como base do negócio
A loja virtual é o único canal onde você controla tudo: preço, regras, experiência de compra e dados do cliente.
Essa última parte é o que mais importa no longo prazo. Cada pedido que entra na sua loja gera informações que ficam com você.
É esse banco de dados que possibilita:
Reativar quem comprou mas não voltou;
Segmentar campanhas por produto ou faixa de gasto;
Criar comunicações personalizadas no pós-venda.
No marketplace, você não tem acesso a esse dado da mesma forma.
O cliente pertence à plataforma: se o Mercado Livre ou a Shopee mudarem as regras amanhã, você não consegue entrar em contato com quem já comprou.
Na loja própria, esse cliente é seu.
Nas redes sociais, o problema é parecido. O alcance de qualquer publicação depende do algoritmo, não do seu esforço.
Essa diferença não aparece na nota fiscal. Aparece no negócio que você constrói ao longo do tempo.
Criar sua loja virtual própria hoje é rápido e sem burocracia. Pela Nuvemshop, você monta em horas, com plano gratuito e sem precisar de cartão de crédito.
Use marketplaces para validar produto e ampliar alcance
Marketplace funciona bem para uma coisa específica: vender produto que as pessoas já estão ativamente procurando.
No marketplace, a demanda existe e já está organizada. Na loja virtual, você cria essa demanda.
Se o produto tem demanda estabelecida, entrar no Mercado Livre ou na Shopee acelera as primeiras vendas.
Mas o valor real do marketplace nessa fase não é só a venda em si: é o aprendizado operacional.
Você descobre qual foto converte melhor, qual preço o mercado aceita, qual dúvida o cliente tem antes de comprar.
Esse conhecimento, aplicado na loja própria, encurta o caminho.
O que não funciona é depender exclusivamente de marketplace.
⚠️ Os riscos se acumulam em três frentes:
Margem: taxas e comissões entre 10% e 20% comprimem o resultado. Em uma venda de R$100 com 15% de comissão, já saem R$15 antes de frete, embalagem e impostos;
Previsibilidade: as regras da plataforma mudam sem aviso e sem negociação;
Continuidade: uma conta suspensa paralisa a operação em dias. Ao vender na internet sem loja própria, você não tem para onde migrar os clientes.
Trate as redes sociais como canal de audiência, não de vendas
Pessoas encontram marcas novas pelo feed, constroem confiança pelos conteúdos e chegam à decisão de compra antes mesmo de abrir a loja.
Esse papel tem valor real. As redes sociais são boas para:
Criar contexto de marca antes da venda;
Gerar confiança pela consistência de conteúdo;
Atrair tráfego qualificado para a loja virtual.
O problema começa quando a rede social vira o destino de venda, e não o caminho até ele. A limitação estrutural é essa: você não é dono da sua base.
Juliana Neves, fundadora da Negaju Acessórios Afro, aprendeu isso da forma mais direta:
"A primeira coisa que ninguém fala é que ter muitos seguidores não pagam os seus boletos. O problema é que as redes sociais são um terreno alugado. Você não é dono da sua lista de seguidores. Se o algoritmo mudar amanhã ou se a sua conta for bloqueada, a sua empresa simplesmente desaparece."
Juliana Neves — Fundadora da Negaju Acessórios Afro
O movimento que funciona é diferente: use as redes para construir audiência, mas conduza essa audiência para a loja virtual.
Lá você captura o e-mail, registra o histórico de compra e constrói um relacionamento que não depende de algoritmo.
A hierarquia que funciona: loja virtual como base, marketplace e redes sociais como canais de entrada e amplificação.
Erros comuns de quem começa a vender produtos online
Você já tem o passo a passo e sabe qual canal priorizar. Antes de executar, vale conhecer onde a maioria erra ao aprender como vender produtos online.
Esses erros têm algo em comum: aparecem quando a operação ainda está frágil, e o custo de cada um é mais alto do que parece.
Os cinco mais frequentes estão a seguir:
1. Tentar vender para todo mundo sem definir nicho
Sem nicho definido, a comunicação não ressoa com ninguém em particular. O anúncio alcança muita gente, mas não fala diretamente com ninguém.
As consequências aparecem em cadeia:
Custo de aquisição alto, porque você paga para alcançar muita gente que não vai comprar;
Taxa de conversão baixa, porque quem chega não se identifica com a oferta;
Dificuldade de cobrar acima da média, porque o cliente não tem motivo para te escolher em vez de qualquer concorrente genérico.
A diferença é concreta: vender "roupas femininas" disputa atenção com milhares de lojas.
Vender "moda casual para mães de primeira viagem" fala com um público que se reconhece na descrição e que, quando encontra o produto certo, tem muito menos razão para comparar preço.
A sensação de "ninguém está comprando" muitas vezes não é problema de produto. É problema de direcionamento.
Gastar com plataforma, domínio, identidade visual e anúncios antes de confirmar que o produto tem demanda real é um dos erros mais comuns, e um dos mais caros.
A ordem certa é o oposto: valide primeiro, estruture depois.
Validar não significa pesquisa de mercado. Significa conseguir pedidos reais de pessoas reais que pagaram de verdade.
Para isso, você precisa de muito menos do que imagina:
O produto, ou ao menos fotos dele;
Uma forma de se comunicar com o cliente;
Um link de pagamento.
Se pessoas dão dinheiro por esse produto com essa estrutura mínima, a demanda existe.
Agora faz sentido construir a loja, a identidade e o processo.
3. Precificar só pelo custo do produto
Custo do produto não é preço de venda. E a diferença entre os dois é o que define se o negócio é lucrativo ou não.
Um produto que custa R$50 e é vendido por R$100 parece uma margem de 50%.
Mas acrescente os custos reais:
Frete: R$15;
Taxa de marketplace de 15%: R$15;
Embalagem: R$5.
O lucro real cai para menos de R$15 por venda.
Esse cálculo simples muda completamente a decisão sobre onde vender, como precificar e o que faz sentido promover.
Quem não faz esse exercício antes de começar descobre o problema no extrato bancário.
4. Depender de um único canal de vendas
Concentrar 100% das vendas em um só canal é um risco que pode paralisar a operação em questão de dias, não meses.
Imagine dois anos de operação construídos dentro de um marketplace. A conta é suspensa por uma reclamação indevida, na semana anterior à Black Friday.
Sem loja própria, sem base de clientes, sem canal alternativo: o faturamento vai a zero enquanto o recurso tramita.
Por isso, sempre aconselhamos: diversifique seus canais.
A saída não é abrir todos os canais de uma vez. A diversificação progressiva funciona em etapas:
Comece em um canal e estabilize a operação;
Abra o segundo canal quando o primeiro já funciona sem atenção constante;
Repita o processo antes de expandir para um terceiro.
Cada canal novo exige capacidade operacional. Abrir antes de ter essa capacidade divide atenção e não gera resultado em nenhum deles.
5. Parar de se comunicar com o cliente depois da venda
A venda não termina na entrega. Ela abre uma janela de oportunidade que a maioria dos lojistas deixa fechar.
Um cliente que comprou de você já passou pela etapa mais cara do processo: foi encontrado, convencido e convertido. Vender para ele de novo custa uma fração disso.
O erro é tratá-lo como se fosse um estranho na próxima comunicação.
O mínimo que funciona é simples:
Confirmação de pedido com prazo de entrega;
Aviso de envio com rastreio;
Mensagem de feedback uma semana após a entrega;
Oferta contextualizada 30 dias depois.
Fabio Ludke, empresário e consultor de Ecommerce, coloca em perspectiva o que está em jogo:
"Hoje em dia, com um custo de aquisição cada vez mais caro, vocês não podem abandonar os clientes que já compraram de vocês. É muito mais fácil você vender para uma pessoa que já comprou de você. É aqui que está o lucro de verdade das empresas, é na recompra."
Fabio Ludke — Empresário e consultor de Ecommerce
Comece sua loja virtual do jeito certo
Você já tem o mapa: produto certo, canal adequado, preço calculado, vitrine preparada.
O próximo passo é colocar em prática com uma base sólida.
Mesmo no plano gratuito, a Nuvemshop entrega o suporte pra você validar seu modelo de negócio e faturar.
Você vai contar com:
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Bruno de Oliveira é fundador do Ecommerce na Prática, investidor, mentor, palestrante e autor do best-seller Crie Seu Mercado no Mundo Digital. Com mais de 20 anos de experiência em Varejo e Comércio Digital, hoje o Bruno é considerado um dos grandes especialistas em e-commerce do Brasil. No Ecommerce na Prática, já ajudou mais de 150 mil pessoas construírem negócios de sucesso na internet.
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