Tipos de redes sociais: qual escolher para seu negócio
Por Ana Clara Magalhães
Atualizado em 26/06/2026
10 min de leitura
Conteúdo escrito por humano
Pontos principais do artigo:
Existem 6 tipos de redes sociais com lógicas e públicos diferentes. Entender cada um é o que transforma a escolha de canal numa decisão estratégica;
De acordo com o NuvemCommerce 95% dos Ecommerces brasileiros usam Instagram como canal de venda. Mas depender de uma única rede é um risco que cresce toda vez que o algoritmo muda;
A primeira decisão de quem quer vender online é profissionalizar as redes sociais do negócio.
No entanto, sua empresa não pode (e nem deve!) estar em todos os canais ao mesmo tempo; especialmente no início.
Para decidir onde focar seus esforços, você precisa entender os tipos de redes sociais que existem.
Neste artigo, você vai descobrir o que diferencia cada um, onde está o público brasileiro e como escolher a plataforma certa para o seu negócio.
Pronto para decidir? ☺️
Índice:
O que são redes sociais?
Redes sociais são plataformas online que permitem criar um perfil, conectar-se com outras pessoas e compartilhar conteúdo, seja texto, foto, vídeo ou áudio.
Em torno dessas funções básicas, cada rede constrói o seu próprio ecossistema, com formatos, algoritmos e públicos distintos.
Apesar das diferenças, toda rede social compartilha alguns elementos em comum:
Um perfil público ou semipúblico;
Uma lista de conexões ou seguidores;
Um feed de publicações;
E mecanismos de interação, como curtidas, comentários e compartilhamentos.
Algumas ainda usam hashtags para organizar e distribuir conteúdo por tema.
No Brasil, o peso dessas plataformas é considerável.
Existe uma tendência de tratar todas as redes como se fossem iguais, mudando só o formato do conteúdo.
Mas cada tipo foi criado com um propósito diferente, atrai usuários em estados de espírito distintos e funciona com lógicas próprias.
Vale notar que essas categorias se sobrepõem.
A classificação serve para entender o foco principal de cada plataforma, não para limitar o que ela faz.
Vamos entender essas diferenças?
1. Redes de relacionamento
Redes de relacionamento são plataformas voltadas para a conexão entre pessoas: acompanhar amigos, interagir com marcas e participar de grupos.
O Instagram e o Facebook são os maiores exemplos no Brasil, e os dois têm funcionalidades específicas para quem vende online.
O Instagram tem 147 milhões de usuários no país, com crescimento de 8% no último ano, segundo o DataReportal.
Para lojistas, as ferramentas nativas de venda fazem diferença:
Instagram Shopping: marcação de produtos em posts, stories e reels, com redirecionamento direto para a página de compra na loja virtual;
Automação de direct: converte comentários em conversas privadas automaticamente, sem resposta manual a cada interação;
Catálogo integrado: sincroniza o estoque com o perfil via pixel, mantendo preços e disponibilidade atualizados.
O Facebook tem 109 milhões de usuários no Brasil.
A plataforma perdeu relevância com públicos mais jovens, mas mantém uma base expressiva de compradores adultos.
O Facebook Marketplace é um canal relevante para categorias como móveis e eletrônicos.
Além disso, é pelo Gerenciador de Anúncios do Facebook que se configuram as campanhas do Instagram, o que torna o conhecimento da plataforma obrigatório mesmo para quem foca só no Insta.
2. Redes de vídeo e entretenimento
Redes de vídeo e entretenimento são plataformas organizadas em torno do consumo audiovisual, em que descoberta e engajamento acontecem por meio de vídeos gravados ou ao vivo.
No Brasil, duas dominam esse espaço com lógicas completamente diferentes.
O YouTube é a maior plataforma do país em alcance, com crescimento de 4,2% no último ano (DataReportal 2026).
Funciona como um motor de busca audiovisual: as pessoas chegam com uma intenção clara, seja aprender algo, comparar produtos ou tirar uma dúvida.
Para marcas, isso abre espaço para conteúdo educativo e demonstrações que acompanham o cliente nas etapas mais avançadas da decisão de compra.
Já o TikTok funciona pela lógica oposta.
Com 131 milhões de usuários adultos no Brasil e crescimento de 17,6% no último ano, o maior entre as grandes plataformas (DataReportal 2026), a rede é movida pela descoberta passiva.
O algoritmo entrega o conteúdo antes que o usuário saiba que queria ver aquilo.
O potencial de alcance orgânico é alto, especialmente para marcas que ainda estão construindo audiência.
Segundo o NuvemCommerce, 43% das marcas brasileiras já usam o TikTok como canal para gerar desejo de compra.
Um equívoco comum é imaginar que o TikTok exige um tipo de linguagem que não combina com a maioria das marcas.
O que as empresas que chegam a resultado nessa plataforma entendem é diferente, como explica Silvia Belluzzo, diretora de Marketing no TikTok:
"Quando a gente fala de entretenimento no TikTok, não estamos falando de dançar ou fazer gracinha para vender. Entretenimento é educar, é informação, é o usuário aprender sobre o seu produto antes de consumir."
Silvia Belluzzo, Diretora de Marketing no TikTok
↪️Leia também: Social selling: como atrair público e fechar pedidos?
3. Redes profissionais
Redes profissionais são plataformas voltadas ao mundo corporativo, onde o contexto é de carreira, negócios e autoridade setorial.
O LinkedIn é o principal exemplo e chegou a 90 milhões de membros no Brasil, com crescimento de 15,4% no último ano, segundo o DataReportal.
A plataforma costuma ser ignorada por lojistas, mas tem casos consistentes de resultado quando o produto tem um público B2B ou um ticket mais alto.
4. Redes de inspiração visual
Redes de inspiração visual são plataformas organizadas em torno de imagens e referências.
Nelas, o usuário vai para descobrir ideias antes de saber exatamente o que quer comprar.
O Pinterest é o principal representante dessa categoria no Brasil, com 42,2 milhões de usuários e crescimento de 4,4% no último ano (DataReportal 2026).
O usuário do Pinterest está em modo de pesquisa ativa, buscando referências de decoração, tendências de moda, receitas ou paletas de cor.
Para marcas que vendem nesses nichos, a intenção de compra já existe antes do clique, o que melhora a qualidade do tráfego.
Como explica Babi Tonhela, consultora especialista em Ecommerce, essa intenção tem uma consequência direta para quem usa a plataforma como canal de vendas:
"Cada pin que você cria é um convite visual e interativo para que o usuário visite o seu site. Ao clicar nesse pin, as pessoas são levadas para a página do produto, onde podem obter mais informações e até mesmo fazer a compra."
Babi Tonhela, Consultora especialista em Ecommerce
Aplicativos de mensagens com função social são plataformas de comunicação direta que, no Brasil, operam também como canais comerciais.
O WhatsApp, o Telegram e o Messenger têm perfis distintos, mas os três aparecem na rotina de compra do consumidor brasileiro.
O Messenger tem 46,9 milhões de usuários no país, embora esteja em queda de 5,1% em relação ao ano anterior (DataReportal 2026).
O WhatsApp segue como o aplicativo de comunicação mais presente no cotidiano.
Segundo pesquisa do Panorama Mobile Time em parceria com a Opinion Box, mais de 80% dos brasileiros com smartphone usam o WhatsApp para se comunicar com marcas.
Para lojas virtuais, o WhatsApp Business tem recursos que valem a pena configurar desde o início:
Catálogo integrado: sincroniza os produtos da loja via pixel, sem precisar cadastrar manualmente;
Mensagens automáticas: saudação, horário de atendimento e aviso de ausência configuráveis;
Respostas rápidas: atalhos para perguntas frequentes, como prazo de entrega e formas de pagamento;
Grupos e listas de transmissão: canais para campanhas e ofertas para clientes já ativos.
O WhatsApp funciona melhor como canal de apoio do que como ponto de partida da venda.
O fluxo mais eficiente é o cliente descobrir o produto nas redes, ir até a loja virtual e acionar o WhatsApp apenas para tirar uma dúvida antes de finalizar a compra.
6. Redes de comunidade e nicho
Redes de comunidade e nicho são plataformas organizadas em torno de interesses específicos, onde as conversas giram por tema e não por pessoa.
O Reddit e o X (antigo Twitter) são os maiores exemplos no Brasil.
O Reddit tem 19,9 milhões de usuários no país (DataReportal 2026), divididos em comunidades temáticas.
É onde as pessoas discutem produtos, trocam recomendações e pedem opiniões antes de comprar.
Marcas que participam dessas comunidades de forma útil, sem tom publicitário, constroem reputação com um público muito qualificado.
O X tem 17,1 milhões de usuários no Brasil, com queda de 19,1% no último ano (DataReportal 2026).
Apesar do recuo, ainda reúne comunidades engajadas em torno de temas muito específicos.
Um aluno que vende produtos personalizados geek, com estampas de séries de TV, usa as hashtags dos programas para anunciar nas datas de estreia dos episódios.
O canal funciona porque o público está concentrado, num momento de alto engajamento com o tema.
Plataformas de nicho têm volumes menores, mas o nível de interesse do público costuma ser mais alto.
Para produtos com apelo muito específico, uma presença bem posicionada numa comunidade menor pode gerar mais resultado do que uma presença dispersa em plataformas grandes.
O que os brasileiros realmente fazem nas redes sociais?
Pesquisas de comportamento digital identificam três razões principais pelas quais as pessoas acessam redes sociais:
Conversar com outras pessoas. Redes sociais são, antes de qualquer coisa, sobre conexão. O usuário vai lá para trocar, comentar, reagir;
Descobrir coisas novas. O feed funciona como filtro de novidades: tendências, produtos, conteúdo de interesse que a pessoa ainda não sabia que queria ver;
Pesquisar sobre marcas e produtos antes de comprar. 77% dos usuários usam as redes para buscar informação sobre produtos antes de tomar uma decisão de compra.
Esse terceiro ponto muda bastante a forma como uma marca deveria se comportar nessas plataformas.
Mas há um complicador: o tempo médio de atenção no Instagram é de 1,7 segundos (mLabs).
É o tempo que uma pessoa leva para decidir se para ou passa para o próximo conteúdo.
Isso coloca pressão enorme sobre os primeiros frames de qualquer vídeo e sobre a primeira imagem de qualquer post.
O que não funciona fica claro nos dados.
Veja o que participantes de uma pesquisa da Hootsuite falam sobre razões que os fazem parar de seguir marcas nas redes sociais:
“Clickbait” (76%).
Conteúdo chato/entediante (68%);
Conteúdo repetitivo (68%);
Conteúdo sem autenticidade (68%);
Tentativa de alcançar métricas (63%).
Quanto mais uma marca tenta vender diretamente, menos as pessoas querem ouvir.
Essa lógica vai além das preferências do usuário.
Ela é o que determina, na prática, o alcance que cada conteúdo vai ter dentro das plataformas, como explica Fabio Ludke, empresário e consultor de Ecommerce:
"Os algoritmos são as pessoas. O algoritmo não é um código. Nada mais é do que uma interpretação do que as pessoas estão consumindo. Não é uma plataforma que está fazendo seu alcance ser baixo, são as pessoas que não estão consumindo o conteúdo, porque de alguma forma você não está conseguindo chamar a atenção.”
Fabio Ludke, Empresário e consultor de Ecommerce
O que funciona aponta em outra direção.
Conteúdo gerado por outros consumidores, o chamado UGC (do inglês user-generated content), influencia muito a decisão de compra de 79% dos consumidores. (InkBot Design)
A pessoa não quer ver a loja dizendo que o produto é bom.
Ela quer ver outra pessoa usando, avaliando e recomendando.
O formato que mais encaixa nessa lógica tem nome: infotenimento.
É o conteúdo que entretém enquanto informa, sem forçar a venda.
Quais as redes sociais mais usadas?
O Brasil está entre os países com maior engajamento em redes sociais do mundo.
As plataformas com maior base de usuários no país, em ordem de alcance, são:
YouTube;
Instagram;
TikTok;
Facebook;
LinkedIn;
WhatsApp;
Pinterest;
X (Twitter);
Reddit.
Para ver os números atualizados, crescimento ano a ano e o perfil de público de cada uma, temos um artigo dedicado a esse tema.
Como escolher a rede social certa para o seu negócio?
Escolher uma rede social também envolve entender como as pessoas tomam decisões de compra hoje.
A jornada não começa no checkout e não passa por um canal único:
"A gente não pode mais falar que a jornada do consumidor é linear. Ela é completamente fluida, ela acontece em vários lugares ao mesmo tempo. Então cada vez mais é importante estar no ponto de partida."
Oshry Vidal, Líder de Aquisição LATAM no Pinterest
Para chegar a uma decisão consistente, vale responder três perguntas antes de abrir qualquer perfil.
Em qual plataforma o seu público está? Considere onde esse tipo de pessoa passa o tempo e com qual intenção ela acessa a rede;
Qual é o seu objetivo principal? Alcançar pessoas novas exige uma lógica diferente de converter quem já conhece a marca;
Qual é o seu tempo disponível? Estar em cinco redes sem resultado em nenhuma é pior do que estar bem posicionado em uma.
Um dado do NuvCommerce 2026 coloca o cenário em perspectiva: 95% dos Ecommerces brasileiros usam o Instagram como canal de venda.
O problema aparece quando ele vira o único canal, transformando o negócio num perfil dependente do algoritmo para existir.
O mesmo relatório mostra que 62% das lojas virtuais brasileiras são operadas por uma única pessoa.
Isso explica a concentração no Instagram: a plataforma tem as ferramentas mais acessíveis para quem trabalha sozinho.
Mas começar por uma rede não significa ficar preso a ela.
A distribuição de canais que funciona para Ecommerces com crescimento consistente, dentro da metodologia do Ecommerce na Prática, segue esta proporção:
50% do faturamento vindo da loja virtual própria;
30% de marketplaces amplos, como Mercado Livre e Shopee;
10% de marketplaces nichados, específicos do seu segmento;
10% do canal comercial direto, como WhatsApp e atendimento ativo.
As redes sociais funcionam, nessa estrutura, como canal de aquisição e tráfego para a loja própria.
Esse é o papel delas, e entender isso muda o tipo de conteúdo que faz sentido criar.
Toda rede social funciona comoterreno alugado. O perfil, os seguidores e o alcance que você constrói lá não são seus. O algoritmo muda, a conta pode ser suspensa, as regras de distribuição se alteram sem aviso.
Quem concentra o negócio inteiro numa plataforma sente cada uma dessas mudanças de forma direta.
Uma queda no alcance vira queda nas vendas.
A forma mais clara de pensar sobre isso: redes sociais são avenidas. A loja virtual própria é a casa.
O objetivo de uma boa estratégia de redes sociais é levar o cliente da avenida para dentro de casa.
O conteúdo atrai, o perfil desperta interesse, e a loja fecha a venda.
Quem chegou a esse entendimento pela experiência prática do Ecommerce, como a Juliana Neves, fundadora da loja Negaju Acessórios Afro, descreve a mesma lógica:
"Lojas maduras usam as redes sociais como um canal de atração, mas o objetivo final é levar uma pessoa pra sua casa própria, ou seja, a sua loja virtual. Lá você captura o e-mail, o telefone e os dados daquele cliente."
Juliana Neves, Fundadora da loja Negaju Acessórios Afro
[GRÁTIS] 57 Ideias de Posts para Redes Sociais: bombe seu feed o ano inteiro
Constância é o que separa quem vende pelas redes de quem só posta.
Existem 6 tipos principais: redes de relacionamento, de vídeo e entretenimento, profissionais, de inspiração visual, aplicativos de mensagens e redes de nicho. Cada uma tem lógica, público e potencial de venda diferentes.
Qual rede social é melhor para vender online?
Não existe uma melhor. Existe a que tem o seu público. Um lojista de artigos para executivos pode vender mais pelo LinkedIn do que pelo Instagram. A escolha certa depende de quem você quer alcançar.
Preciso estar em todas as redes sociais ao mesmo tempo?
Não. O ideal é começar por uma rede, medir resultados e expandir aos poucos. Gerir muitos canais ao mesmo tempo sem critério claro tende a gerar esforço alto e resultado abaixo do esperado em todos eles.
Instagram ou TikTok: qual escolher para começar?
Depende do objetivo principal. O Instagram tem mais ferramentas para lojistas e converte melhor. O TikTok tem alcance orgânico superior, sendo mais indicado para quem está construindo audiência do zero.
Ana Clara Magalhães é senior manager de aquisição do Ecommerce na Prática e especialista em marketing e redes sociais. Pós-graduada em gestão de Marketing, ela foi responsável por desenvolver a estratégia de conteúdo da maior escola de e-commerce do país e, desde 2018, compartilha seu conhecimento ministrando treinamentos e criando conteúdos focados em auxiliar empreendedores a alcançarem o sucesso nas vendas online.
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