Pontos principais do artigo:

  • Os principais impostos de Ecommerce são ICMS, ISS e federais. O valor a pagar depende do seu regime tributário e do destino da venda;
  • Escolher entre MEI, Simples ou Lucro Real define seu lucro. O ideal é analisar margem e faturamento para pagar menos imposto dentro da lei;
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Vender na internet é o sonho de muita gente. Mas ver o lucro sumir na hora de pagar imposto é o pesadelo de qualquer lojista.

A verdade é que a fiscalização tem apertado nos últimos anos e ignorar isso custa caro e pode travar seu crescimento. 

Quer regularizar sua loja, fugir de multas e preparar o caixa para o futuro? 

Vem com a gente que te mostramos o caminho.

Quais os principais impostos de Ecommerce? 

A sopa de letrinhas tributária do Brasil assusta qualquer um. 

E para quem vende online, a atenção precisa ser redobrada.

Diferente de uma loja de rua que vende para quem passa na porta, no Ecommerce você negocia com o país todo

Isso muda a regra do jogo, principalmente quando envolvemos o envio para outros estados.

Vamos olhar agora quais os principais impostos no Ecommerce? 

ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)

Este é o imposto estadual que incide na circulação de produtos. 

Quem vende itens físicos lida com ele em cada venda. 

A regra atual varia conforme o estado e gera o Diferencial de Alíquota, o DIFAL, nas vendas interestaduais.

Vale destacar que o ICMS passará por grandes mudanças com a Reforma Tributária no Ecommerce

Ele será substituído gradualmente pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) entre 2029 e 2033. 

O objetivo é acabar com a guerra fiscal e tributar 100% no destino, ou seja, onde o seu cliente mora.

Outro ponto de atenção é a importação

A alíquota para trazer produtos de fora sofreu aumentos, chegando a 25% em diversos estados. 

Quem trabalha com revenda de importados precisa refazer a precificação para não perder margem.

↪️ Leia também: O que é pró-labore? Entenda importância e como calcular. 

ISS (Imposto Sobre Serviços)

O ISS é um tributo municipal voltado para a prestação de serviços. 

Ele afeta quem vende cursos, consultorias ou softwares. 

A alíquota costuma ficar entre 2% e 5%, dependendo da cidade da empresa ou do local do serviço.

Com a Reforma Tributária, o ISS também deixará de existir no formato atual. 

Ele será fundido com o ICMS para criar o IBS. 

Isso simplifica a vida de quem vende produtos e serviços juntos, pois a tributação passará a seguir uma regra única.

IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)

O IRPJ incide sobre o faturamento ou o lucro da empresa. 

É obrigatório para qualquer negócio com CNPJ ativo. 

A forma de calcular depende do regime tributário escolhido: 

  • No Simples Nacional, ele já faz parte da guia única;
  • Nos regimes de Lucro Presumido ou Real, o pagamento acontece de forma separada.

Este imposto não sofre alterações diretas com a criação do IVA Dual na Reforma Tributária, pois a mudança foca nos tributos sobre o consumo. 

O IRPJ continua incidindo sobre a renda da empresa.

PIS e COFINS

Estas duas contribuições federais financiam a seguridade social. 

O PIS (Programa de Integração Social) e a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) incidem sobre a receita bruta. 

As alíquotas variam bastante conforme o regime. No Lucro Presumido, por exemplo, o PIS é 0,65% e a COFINS é 3%.

A atenção aqui deve ser total para o futuro próximo. 

A partir de 2027, PIS e COFINS deixarão de existir e darão lugar à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). 

Essa nova contribuição terá uma alíquota cheia prevista para entrar em vigor logo no início da virada federal da reforma.

IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)

Muitos lojistas acreditam que o IPI se aplica apenas a grandes fábricas. Isso é um erro comum. 

No Ecommerce, ele aparece para quem fabrica o próprio produto e também para quem trabalha com importação. 

A Receita Federal equipara o importador à indústria, exigindo o recolhimento desse imposto na revenda.

A Reforma Tributária prevê a redução da alíquota do IPI a zero a partir de 2027, com exceção de produtos que tenham concorrência na Zona Franca de Manaus. 

Ele será substituído pela CBS e pelo Imposto Seletivo, focado em itens nocivos à saúde e ao meio ambiente.

CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido)

A CSLL é outra contribuição federal obrigatória que incide sobre o lucro líquido. O objetivo é financiar a Seguridade Social. 

A alíquota acompanha o regime tributário da empresa. 

No Lucro Presumido, ela gira em torno de 1,08%, enquanto no Lucro Real pode chegar a 9%.

Assim como o IRPJ, a CSLL incide sobre a renda e o lucro, não sobre o consumo. 

Por isso, ela continua existindo nos moldes atuais, correndo em paralelo às mudanças do IVA Dual trazidas pela reforma.

Regimes tributários no comércio eletrônico: qual escolher para pagar menos?

Escolher o regime certo é o segredo para pagar menos impostos dentro da lei. Um erro aqui leva seu lucro embora. 

Vamos descobrir qual modelo funciona melhor para o momento atual da sua loja.

⤵️ Veja um resumo: 

Comparativo de Regimes Tributários para Ecommerce
Regime Limite de Faturamento Vantagens Desvantagens Ponto de Atenção
MEI
(Microempreendedor Individual)
Até R$ 81 mil/ano Baixa burocracia, CNPJ rápido, imposto fixo mensal Limite de crescimento travado, risco de passivo tributário retroativo Limite de compras (80% do faturamento). Estouro >20% gera desenquadramento retroativo.
Simples Nacional Até R$ 4,8 milhões/ano Menos burocracia, impostos unificados (DAS) Imposto encarece conforme crescimento Alíquota progressiva (Anexo I). Cuidado com o aumento da carga tributária.
Lucro Presumido / Real Acima de R$ 4,8 milhões
(ou opção estratégica)
Créditos de PIS/COFINS (Real), força no B2B Exige organização financeira rigorosa, risco de erro alto Ideal quando a margem aperta no Simples. Lucro Real cobra sobre o líquido real.

↪️ Leia também: Como emitir a GNRE e garantir a regularidade fiscal do seu negócio. 

MEI (Microempreendedor Individual): a porta de entrada

O MEI para Ecommerce funciona como o ponto de partida ideal para quem fatura até R$ 81 mil por ano. 

É o cenário perfeito para testar o mercado com baixo custo. 

Como explica Ariane Marta, contadora e sócia da Brasct Contabilidade:

“Começar o MEI é muito positivo para validação de produto e validação de negócio. Mas você tem que utilizar o MEI de maneira estratégica. Se você faturar e estourar muito rápido, o benefício que você teve vira custo.”

ARIANE BRASCTAriane Marta – Contadora e Sócia da Brasct Contabilidade

Fique atento ao risco oculto dessa transição. 

Ultrapassar o limite em mais de 20% (faturar acima de R$ 97.200) obriga o desenquadramento retroativo a janeiro. 

Na prática, a Receita cobra o imposto como Simples Nacional sobre o ano todo, com juros e multas, o que pode inviabilizar o negócio.

Outro ponto crítico é o limite de compras

A legislação permite comprar apenas até 80% do valor faturado (aprox. R$ 64.800).

Gastar mais que isso com fornecedores também desenquadra a empresa.

  • Vantagens: baixa burocracia, CNPJ rápido e imposto fixo mensal;
  • Desvantagens: limite de crescimento travado e o risco de gerar um passivo tributário retroativo.

Muitos perguntam: MEI paga imposto para vender na internet? Sim. 

Além da guia mensal (DAS), você paga o DIFAL nas compras vindas de outros estados. 

Respeite o limite de faturamento MEI ecommerce e faça as contas na ponta do lápis para crescer com segurança.

Simples Nacional: o regime da escala

Se o seu negócio faturou mais que o limite do MEI, o próximo passo é o Simples Nacional. 

Esse regime atende quem fatura até R$ 4,8 milhões por ano

A grande sacada aqui é a guia única, o DAS, que junta vários impostos em um boleto só.

Mas cuidado com a Tabela Simples Nacional comércio eletrônico (Anexo I): a alíquota começa em 4%, mas sobe conforme sua receita aumenta.

  • Vantagens: menos burocracia e impostos unificados;
  • Desvantagens: o imposto fica mais caro à medida que você cresce.

Lucro Presumido e Lucro Real: o jogo de gente grande

Quando a alíquota do Simples sobe demais, ela começa a comer seu lucro. 

Nesse ponto, migrar de regime é a estratégia para quem quer escalar.

O Lucro Presumido serve para quem tem margens altas, já que o governo calcula o imposto sobre uma base fixa de faturamento. 

Já o Lucro Real cobra apenas sobre o lucro líquido real da empresa.

  • Vantagens: no Lucro Real, você usa créditos de PIS e COFINS das suas compras para abater o imposto a pagar. Além disso, ele te deixa mais forte no B2B, pois gera crédito cheio para o seu cliente;
  • Desvantagens: exige uma organização financeira rigorosa. Se você não tem controle total dos números, o risco de erro é alto.

As "armadilhas" que comem seu lucro (e como fugir delas)

Achar que basta pagar a guia mensal é um erro.

Custos como o DIFAL e regras de marketplaces derrubam sua margem em silêncio. 

Vamos mapear esses riscos para você não perder dinheiro sem perceber.

O desafio do ICMS e o DIFAL no Ecommerce

O ICMS é traiçoeiro porque ele muda dependendo de onde a mercadoria sai e para onde ela vai. 

Entender como funciona o ICMS no Ecommerce impede que seu lucro suma no meio do caminho.

A regra de ouro aqui é o DIFAL (Diferencial de Alíquota). 

Mas o que é DIFAL? É a cobrança da diferença entre o imposto do estado de origem e o do estado de destino.

  • Na compra: trouxe estoque de outro estado? Você paga a diferença entre a alíquota interna e a interestadual. Isso vale inclusive para MEI e Simples Nacional;
  • Na venda: quem opera no Lucro Presumido ou Real precisa recolher essa diferença para o estado do cliente em cada venda para consumidor final;
  • Atenção: o ICMS sobre importações subiu para 25% em diversos estados em 2025. Ajuste sua precificação para não pagar para trabalhar.

↪️ Leia também: O que é o Meta Pay e como usar para receber dinheiro? 

Impostos em marketplaces

Quem vende em grandes plataformas precisa abrir o olho agora. A Reforma Tributária trouxe a responsabilidade solidária

Isso quer dizer que, se você não pagar o tributo devido, a conta sobra para o marketplace.

É claro que eles não vão querer assumir esse prejuízo. 

Por isso, a fiscalização interna vai apertar como nunca para evitar riscos.

  • Bloqueio de conta: sem nota fiscal correta, você simplesmente para de vender;
  • Retenção de saldo: seus valores a receber podem ficar presos se houver irregularidade;
  • Rigor total: o cruzamento de dados vai pegar quem tenta burlar o sistema.

Para lidar com os impostos de vendas Mercado Livre e Shopee, a única saída é andar na linha. 

O tempo de vender sem nota nesses canais acabou de vez.

Nota fiscal no Ecommerce: por que é obrigatória?

A nota fiscal deixou de ser apenas burocracia e virou condição de existência. Sem ela, seu produto não sai do lugar.

Transportadoras e Correios exigem o documento para levar a encomenda. 

Se a fiscalização parar o veículo na estrada e sua caixa estiver sem nota, a mercadoria fica retida e você perde a venda.

Nos marketplaces, a regra é ainda mais dura. 

A responsabilidade solidária, que já mencionamos antes, obriga as plataformas a fiscalizarem os vendedores com rigor. 

A nota fiscal é importante, principalmente, por esses dois motivos: 

  • Segurança: é a blindagem da sua operação contra multas e apreensões;
  • Profissionalismo: o cliente exige a nota como garantia de troca e procedência. Entregar o documento mostra que sua loja é séria.

Muitos lojistas travam na hora de entender a nota fiscal Ecommerce e como emitir. 

Esqueça o emissor gratuito da prefeitura ou preencher dados na mão, pois isso inviabiliza o crescimento. 

O caminho certo é usar um ERP, um sistema de gestão integrado. 

Se você integrar o Bling à Nuvemshop, por exemplo, ele puxam os dados do pedido e geram a nota em segundos.

Como calcular o preço de venda considerando os impostos?

Precificar de qualquer jeito é o caminho mais rápido para fechar as portas. 

O governo, no entanto, cobra o imposto sobre o preço de venda final, não sobre o custo. 

E a Reforma Tributária exige uma revisão completa da sua política de preços. 

O Split Payment vai reter o imposto automaticamente no momento da venda e você recebe apenas o valor líquido. 

Isso obriga o lojista a calcular produto por produto para garantir que o dinheiro que entra paga a conta e ainda sobra.

  • Identifique o NCM correto de cada item para saber a alíquota exata;
  • Considere os créditos tributários que você ganha na compra para abater o valor devido;
  • Ajuste o preço para cobrir o custo da mercadoria, as taxas do marketplace e o imposto retido na fonte.

Tentar fugir dessa obrigação traz consequências graves. 

A sonegação fiscal no Ecommerce traz riscos que vão muito além de uma simples cobrança atrasada. 

A lei considera essa prática crime: 

  • Multas pesadas que variam de duas a cinco vezes o valor do tributo;
  • Bloqueio de bens e contas bancárias da empresa e dos sócios;
  • Risco real de detenção de seis meses a dois anos para os responsáveis.

↪️ Leia também: Quanto custa uma loja virtual? Veja dados e dicas. 

Como pagar menos impostos no Ecommerce?

Pagar menos impostos começa na escolha do regime tributário, pois ele define as regras do jogo:

  • MEI: é a opção mais barata, mas possui um teto de faturamento baixo;
  • Simples Nacional: facilita a vida com uma guia única, mas a alíquota sobe conforme sua receita cresce;
  • Lucro Real ou Presumido: muitas vezes sai mais barato migrar para estes regimes quando a margem de lucro do negócio é apertada.

Além do regime, a operação do dia a dia esconde oportunidades de economia. 

Revise o cadastro dos seus produtos com atenção. 

Cada item tem um código chamado NCM que diz ao governo quanto cobrar. 

Usar o código errado faz você pagar taxas mais altas sem necessidade ou perder benefícios de isenção.

Fique atento também a estas estratégias avançadas:

  • Use créditos tributários: regimes como o Lucro Real permitem descontar impostos pagos na compra de estoque. Mas atenção: com a Reforma Tributária, você só aproveita esse crédito se o seu fornecedor estiver em dia com o fisco;

  • Estratégia B2B no Simples: se você está no Simples e vende para outras empresas, pagar o novo IVA (IBS e CBS) "por fora" da guia única pode ser vantajoso. Isso garante que seu cliente receba o crédito integral e torna seu preço competitivo.

Por fim, tenha um escritório de contabilidade para Ecommerce ao seu lado

Ter essa orientação pode te ajudar, por exemplo, a evitar erros comuns como tratar o imposto do Simples Nacional como uma taxa única para tudo. 

Produtos como cosméticos, autopeças, bebidas e eletrônicos muitas vezes já tiveram impostos (PIS/COFINS/ICMS) pagos pela indústria. 

Sem uma contabilidade que apure isso produto por produto, você paga o imposto duas vezes sobre o mesmo item sem perceber.

As regras mudam rápido e um planejamento fiscal revisado mensalmente evita que você deixe dinheiro na mesa.

Não deixe a burocracia travar o seu sonho de viver de Ecommerce

Lidar com tributação não é a parte mais divertida de empreender. 

Mas é exatamente isso que separa quem apenas "vende umas coisas na internet" de quem constrói um negócio sólido. 

Se você chegou até aqui, já entendeu que o amadorismo custa caro.

Mas você não precisa decorar cada lei ou enfrentar essa complexidade sozinho. 

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Perguntas Frequentes

Quais são os impostos do Ecommerce?

Os principais são ICMS, ISS, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. No Simples Nacional, eles vêm juntos na guia DAS. A partir de 2026, teremos a transição para o IVA Dual (IBS e CBS).

Ecommerce paga menos Imposto que loja física?

Não. As regras de regime (MEI, Simples, Lucro Real) são as mesmas. O desafio extra do online é o DIFAL nas vendas para outros estados, que exige gestão fiscal afiada.

Como funciona o ICMS no Ecommerce?

Hoje, quem vende para fora do estado paga a diferença de alíquota (DIFAL). Com a Reforma, o imposto será pago 100% no destino (onde mora o cliente) e descontado na venda.