Ter um depósito cheio pode passar a falsa sensação de segurança para quem vende online.
No entanto, a realidade do Ecommerce não perdoa: mercadoria que não gira é, na prática, uma nota de cem reais pegando poeira.
Para quem gerencia um negócio, entender a dinâmica desses produtos encalhados é a diferença entre ter lucro no fim do mês ou fechar as contas no vermelho.
Neste artigo, vamos direto ao ponto para você entender como recuperar esse capital do estoque parado e organizar sua operação para que o erro não se repita.
Boa leitura!
Índice:
O que é estoque parado?
O estoque parado é todo aquele produto que permanece no seu depósito por mais tempo do que o ciclo normal de vendas do seu negócio.
É o já velho conhecido "encalhe".
Quando você compra uma mercadoria, a expectativa é que ela se transforme em receita em um período determinado – seja em 30, 60 ou 90 dias.
Ultrapassado esse prazo, o item deixa de ser um ativo e vira um custo.
Imagine uma loja de moda que chega em março com centenas de biquínis guardados.
Aquele material ocupa espaço físico, exige manutenção e, o mais grave, impede que você use esse mesmo dinheiro para investir na coleção de inverno, que é o que o cliente busca no momento.
A especialista em contabilidade, Ariane Marta, ainda ressalta:
”O maior custo no Ecommerce vai ser o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), ou seja, o estoque. Controle o estoque desde o começo, porque estoque é dinheiro. Controlando o estoque, a gente sabe a necessidade de capital de giro e identifica produto encalhado.”
Ariane Marta – Contadora e Sócia da Brasct Contabilidade
Como identificar o estoque parado?
Não dá para gerenciar o que você não mede. O primeiro passo para identificar o problema é analisar o giro de estoque.
Você nota que certos itens não aparecem nos relatórios de pedidos há semanas? O sinal de alerta deve acender.
Outra forma prática é olhar para o tempo médio de permanência. Um produto que está lá há seis meses sem uma única movimentação claramente faz parte do estoque parado.
Muitas vezes, o lojista foca apenas no que está vendendo muito e esquece de olhar para o fundo da prateleira.
Fazer uma conferência física (inventário) de tempos em tempos ajuda a enxergar mercadorias que talvez tenham sido esquecidas ou que nem constam mais no sistema por erros de lançamento.
É claro que usar um bom sistema de gestão – como ERP, por exemplo – ajuda muito. Mas vamos falar mais sobre isso adiante… Continue a leitura! 😀
Quais são as causas do estoque parado?
Na rotina dos empreendedores, identificar o encalhe é apenas metade do trabalho. A outra parte é entender por que ele aconteceu para cortar o mal pela raiz.
Vamos, então, às causas do estoque parado?
Compra excessiva ou superprodução
Muitas vezes, a empolgação com um desconto agressivo do fornecedor leva o lojista a comprar muito mais do que a sua estrutura consegue escoar.
É a falsa ideia de comprar bem para vender bem, mas que ignora a capacidade real de venda.
No caso de quem fabrica o próprio produto, a superprodução acontece quando o cronograma de artesãos ou máquinas não bate com a demanda do mercado.
Sistema de gestão de estoque ruim
Tocar um Ecommerce usando apenas papel e caneta ou planilhas desatualizadas é um grande risco.
Sem um sistema que mostre alertas de baixa ou alta rotatividade, você acaba comprando o que já tem e deixando de repor o que realmente sai.
Em termos simples, a falta de dados confiáveis mascara a realidade do depósito.
Mas como resolver isso?
É preciso ter uma visão ampla e integrada. Aliás, não só do estoque, mas de todas as frentes. O especialista Lucas Gabriel pontua bem isso:
“Não tem como rodar um e-commerce sem integração. Você não consegue coordenar financeiro, nem estoque, nem nada. Tem que ter.”
Lucas Gabriel - Gerente de Marketing da Império das Essências
Problemas de qualidade do produto
Às vezes, o item não vende simplesmente porque é ruim.
Uma costura que solta, uma embalagem que chega amassada ou uma funcionalidade que decepciona o cliente gera devoluções e má fama.
Esse produto acaba ficando de lado, já que ninguém quer arriscar uma nova venda e ter dor de cabeça com o suporte.
Previsão de mercado imprecisa
Você concorda que o mercado muda rápido? Dependendo do nicho, ele dita um ritmo frenético.
Um acessório que era febre no Instagram no mês passado pode cair no esquecimento hoje.
Apostar todas as fichas em uma tendência sem testar o público antes é uma das formas mais rápidas de ver o estoque travar.
Um exemplo comum são as capas de celular: se você estoca milhares de unidades para um modelo que não caiu no gosto do brasileiro, o prejuízo é certo.
Quais são os prejuízos do estoque parado?
O impacto de uma mercadoria que não circula vai muito além da poeira acumulada nas caixas.
Ele gera um efeito dominó que atinge diretamente o coração financeiro da empresa.
Muita gente enxerga o depósito cheio como patrimônio, mas a verdade é que, no dia a dia da operação, o estoque parado funciona como um dreno no seu caixa.
Conheça os principais danos a seguir:
Custos com a manutenção do estoque
Cada metro quadrado do seu depósito custa dinheiro, seja no aluguel, na energia, na limpeza ou na segurança.
Quando um produto fica parado, ele está “gastando o aluguel” sem trazer retorno.
Em operações menores, isso pode significar a necessidade de alugar um espaço maior sem necessidade real, apenas para abrigar itens que não vendem.
Perda de produtos
A depreciação é implacável. No caso de cosméticos ou alimentos, a validade é o maior inimigo; passou do prazo, o prejuízo é de 100%.
Já em nichos como tecnologia ou moda, o problema é a sazonalidade e a obsolescência.
Um eletrônico que fica seis meses parado pode perder valor de mercado porque uma versão nova foi lançada, tornando o seu estoque antigo menos atraente para o consumidor.
Os exemplos de nichos são infinitos…
O que era o carro-chefe de uma coleção de verão dificilmente terá a mesma saída ou o mesmo valor de mercado no inverno seguinte.
No geral, isso obriga o lojista a vender com margens mínimas apenas para não perder o item.
Baixa liquidez
Liquidez é a facilidade de transformar um bem em dinheiro no bolso.
O estoque é considerado um ativo de baixa liquidez quando comparado ao saldo bancário, já que você precisa de todo um esforço de venda para recuperar o valor investido.
Por isso, deixar o capital todo preso em caixas no fundo do depósito retira o poder de manobra do negócio.
Sem dinheiro disponível, as oportunidades rápidas passam direto.
E isso seja uma queima de estoque imperdível de um fornecedor ou o fôlego financeiro necessário para investir em uma campanha pesada de tráfego pago na Black Friday.
Endividamento
É comum empresários usarem crédito bancário ou prazos com fornecedores para compor o estoque.
Se a mercadoria não gira, o boleto chega e o dinheiro da venda não entra.
O resultado é o uso do cheque especial ou a tomada de empréstimos com juros altos para cobrir o buraco no caixa, criando uma bola de neve difícil de parar.
⚠️ Mas é preciso deixar claro que não há problemas em pegar empréstimo. Só é preciso fazer isso do jeito certo, como destaca a especialista Ariane Marte ressalta:
"Não existe tempo ruim para você pegar empréstimo se você conseguir fazer dinheiro com ele. Eu peguei um empréstimo: vou pagar 10, mas se eu pegar esse dinheiro, eu faço 30? Pega para ontem. Se a conta é positiva, não tem tempo ruim."
Ariane Marta – Contadora e Sócia da Brasct Contabilidade
Como evitar o estoque parado?
A prevenção do encalhe começa muito antes do caminhão do fornecedor encostar na sua porta.
Na prática, você deve ter uma estratégia de entrada bem definida, a fim de evitar apagar incêndios no futuro com promoções desesperadas que corroem a margem de lucro.
A seguir, vamos te mostrar alguns passos simples de como se livrar do estoque parado:
Use softwares de gestão de estoque
A tecnologia funciona como os olhos do lojista dentro do depósito.
Operar um negócio com base no feeling ou em anotações soltas é o caminho mais curto para o erro.
O que indicamos aqui é o uso de um bom ERP(Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais, em português).
Esse sistema de gestão centraliza as informações e mostra, em tempo real, o que está saindo e o que está ganhando teia de aranha na prateleira.
Com esses dados em mãos, você define o ponto de pedido ideal, comprando apenas o necessário para suprir a demanda sem imobilizar capital desnecessário.
Conheça o seu público-alvo
Quando você entende as dores e os desejos reais de quem compra na sua loja, a escolha dos produtos que vai vender se torna muito mais assertiva.
Até porque vender para todo mundo costuma ser o primeiro passo para não vender para ninguém. Não é verdade?
É preciso conhecer bem o seu público-alvo – mais precisamente, a sua persona.
Assim, se o seu público busca praticidade e itens de entrada, estocar produtos de luxo apenas porque o fornecedor deu um desconto tende a ser uma grande armadilha.
Procure sempre oferecer o que o seu cliente está disposto a pagar. Ou seja, o que ele realmente precisa naquele momento.
Pesquise sobre o seu produto no mercado
Antes de assinar um pedido grande, é prudente olhar para o cenário externo.
Ferramentas gratuitas, como o Google Trends, ajudam a entender se a busca por determinado item está crescendo ou se ele já passou do pico de interesse.
Além disso, observar a movimentação dos concorrentes e os feedbacks em grandes marketplaces dá uma dimensão real da aceitação da mercadoria.
O teste é o seu melhor amigo: comece com lotes menores, valide a venda e só então escale o volume.
Mantenha-se bem informado
O mercado de Ecommerce é extremamente dinâmico e o que era tendência no mês passado pode cair no esquecimento hoje.
Estar por dentro das notícias do setor, acompanhar o calendário comercial do varejo e entender as mudanças no comportamento de consumo ajuda a antecipar movimentos.
Quem se informa, por exemplo, consegue prever que um inverno mais curto exigirá um estoque de vestuário mais leve, evitando que casacos pesados fiquem parados até o ano seguinte.
Como vender o estoque parado?
A estratégia para girar o que está travado no depósito exige um olhar muito mais voltado para o comercial e para a psicologia de consumo.
Quando a mercadoria não sai sozinha, é necessário criar o estímulo correto para o cliente sentir que aquela é uma oportunidade que não pode ser perdida.
O objetivo aqui é transformar o que está parado em faturamento disponível. As dicas abaixo vão te ajudar nisso:
1. Aposte em promoções
Descontos diretos são o caminho mais curto, mas o uso de combos e kits de produtos costuma ser muito mais inteligente para o negócio.
Você pode unir aquele item que está encalhado a um campeão de vendas da sua loja, por exemplo.
A pessoa percebe uma vantagem real no pacote e você consegue movimentar o estoque parado sem precisar reduzir drasticamente o valor unitário de cada peça.
Outra saída eficiente é criar ações de compre e ganhe, em que o produto parado vira um brinde em compras acima de um ticket médio determinado.
É uma opção que ajuda a limpar a prateleira e ainda deixa quem compra satisfeito com o presente.
2. Faça um estudo sobre o seu estoque
Antes de baixar o preço de tudo, vale parar e olhar o que realmente está travado.
Nem todo produto que sobra é um caso perdido; às vezes, ele só está escondido na sua estratégia.
Usar a Curva ABC ajuda muito aqui, pois separa os itens que pagam as contas daqueles que só ocupam espaço e geram custo.
Muitas vezes, a mercadoria não sai por falta de exposição ou erro no cadastro.
Tente renovar as fotos, revisar as palavras-chave ou dar um destaque novo no banner do site.
Um novo ângulo sobre o produto pode ser o empurrão que faltava para o cliente fechar o pedido.
3. Negocie com seus fornecedores
A gestão de fornecedores, quando bem feita, permite conversas estratégicas que costumam gerar ótimos resultados.
Isso vai desde a possibilidade de troca de itens parados por mercadorias de maior saída, até a devolução parcial em troca de crédito para as próximas compras, por exemplo.
Lembrando que o fornecedor também tem interesse que o seu negócio cresça e continue comprando.
Então, uma conversa honesta sobre o baixo desempenho de um lote específico pode abrir caminho para uma solução que ajude os dois lados.
O comportamento de quem compra dita o ritmo do estoque.
Um item parou? Pode ser que ele não resolva mais a dor do seu público ou tenha perdido o apelo visual.
Use as redes sociais e os canais de atendimento para ouvir o que as pessoas estão buscando agora.
Se você tem muitas unidades de um acessório que perdeu o fôlego, mas nota que surgiu uma nova tendência de uso ou uma demanda por praticidade, tente reposicionar o marketing desse item.
Às vezes, mudar a narrativa de venda é o suficiente para transformar um encalhe em um item desejado.
Quais são as opções de estoque para o seu negócio?
Trabalhar com a melhor opção para a realidade do seu negócio é o caminho para não ter excesso de mercadorias sem saída.
Cada formato traz um nível de risco e ajuda a manter o fluxo de caixa sob controle. Veja só:
Estoque compartilhado
Nesse modelo, você usa o mesmo lote para atender diferentes canais, como site próprio, Mercado Livre e loja física.
Isso impede que você precise de pilhas separadas de produtos para cada lugar, otimizando o dinheiro investido.
É uma boa saída para quem quer um catálogo variado sem precisar de um volume gigantesco de cada item.
Estoque descentralizado
A ideia aqui é espalhar a mercadoria em pontos diferentes, mais perto do cliente final.
No Ecommerce, isso acontece muito via parceiros logísticos ou CDs.
Embora exija mais gestão, esse formato tende a diminuir o tempo de entrega e o preço do frete, o que acelera o giro e impede que o produto mofe na prateleira por falta de competitividade.
Estoque consignado
Essa é uma das formas mais seguras de testar novidades. Você recebe os produtos, mas só paga ao fornecedor o que efetivamente vender.
O que ficar parado no prazo combinado é devolvido sem custo.
É a opção certa para quem quer abrir um nicho novo sem o risco de casar com um estoque que não tem certeza se vai sair.
Estoque terceirizado
Conhecido como Dropshipping ou Crossdocking, esse formato elimina a necessidade de depósito próprio.
Quando a venda cai, o fornecedor envia direto para o cliente.
O risco de estoque parado aqui é zero, já que você só movimenta a mercadoria que já foi paga pelo consumidor.
[GRÁTIS] Organize seu estoque e evite prejuízos com esta planilha
Dominar os números do seu depósito é o que permite que você pare de apagar incêndios e comece a escalar de verdade.
É o produto que fica no depósito além do tempo previsto de venda. Na prática, representa o seu capital de giro travado em mercadorias que não circulam, gerando custos de armazenamento e risco de perda de valor.
Quais são os 4 tipos de estoque?
Os modelos principais para quem vende online são o compartilhado, que integra canais de venda; o consignado, em que você só paga o que vende; o terceirizado, como o dropshipping; e o descentralizado, que espalha produtos para agilizar a entrega.
Como calcular o custo de estoque parado?
O cálculo soma o valor das mercadorias encalhadas aos custos fixos do depósito e à depreciação dos itens. Basicamente, você subtrai o potencial de lucro do que está gastando para manter o produto pegando poeira.
Como movimentar o estoque parado?
Aposte em ações rápidas como a criação de kits, unindo o item parado a um campeão de vendas. Outras saídas são oferecer o produto como brinde em compras de valor alto ou revisar fotos e anúncios para atrair novos clientes.
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