Pontos principais do artigo:

  • Pricing é encontrar o preço que cobre seus custos, respeita o mercado e faz sentido para quem compra. Quando os três se alinham, funciona;
  • Saber se o preço está certo passa por medir: margem de contribuição, conversão e ticket médio. Se os três caminham bem, o pricing está funcionando;
  • Vendas instáveis não são azar — são falta de processo. O Ecommerce na Prática dá o método para transformar picos em recorrência. 💙

Você trabalha sem parar, as vendas acontecem — mas no fim do mês, o saldo não fecha com o esforço. 

Muitas vezes, o problema não está no produto nem no tráfego: está no preço. 

Pricing é a estratégia que vai além do custo mais margem. 

Ela considera valor percebido, concorrência e posicionamento de mercado. 

Neste guia, você entende o que é pricing, como aplicar no Ecommerce e como criar cultura de preços no negócio. 

Pronto para lucrar mais com o que você já vende?

O que é pricing?

Pricing é a estratégia de precificação que vai além do “custo mais margem”. 

Ela define não só quanto cobrar, mas como o preço posiciona a marca, comunica valor e influencia a decisão de compra do cliente — e, por consequência, a margem do seu negócio.

A maioria dos lojistas faz formação de preço sem saber. 

Calcula o custo do produto, adiciona uma margem e define o preço. 

Isso é necessário, mas não é suficiente.

Pricing parte de uma pergunta diferente: quanto o cliente está disposto a pagar por esse produto, nesse contexto, com essa marca?

A distinção prática:

  • Formação de preço olha para dentro (seus custos);
  • Pricing olha para fora (mercado, cliente, valor entregue).

Uma empresa pode ter o preço calculado "certo" pelos custos e ainda assim estar mal posicionada, ou seja, cobrando menos do que poderia ou mais do que o cliente aceita pagar.

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As 3 filosofias de pricing que todo lojista precisa conhecer

Com o conceito em mãos, vem a pergunta que muda tudo: por qual lógica o preço de um produto deveria ser definido? 

A resposta não é única. Existem três abordagens, e a que você escolher vai determinar onde seu negócio compete. 

Pricing baseado em custo

Nesse pilar do pricing, você soma todos os custos envolvidos no produto  e aplica uma margem sobre esse total. 

Compra, embalagem, frete, taxas de plataforma, gateway de pagamento… O resultado é o preço de venda.

O problema não está no método, está em parar por aí. 

Pricing baseado em custo garante que você não vende no prejuízo, mas não diz nada sobre o que o cliente está disposto a pagar nem onde você se posiciona no mercado. 

Pricing baseado na concorrência

Aqui, o preço do concorrente vira a principal referência. 

Você monitora o mercado, identifica o que os outros cobram e define o seu preço a partir daí.

O risco é real: você não sabe a estrutura de custo do concorrente

Se ele pratica um preço que não sustenta a operação dele, copiar esse número compromete a sua. 

Pricing baseado em valor percebido

É a abordagem mais sofisticada.

Em vez de começar pelos custos ou pelos concorrentes, ela começa pela percepção do cliente: quanto esse produto vale para essa pessoa, nesse contexto, com essa marca por trás?

Valor percebido não é só qualidade técnica. É também: 

  • Atendimento;
  • Velocidade de entrega;
  • Embalagem;
  • Reputação;
  • Facilidade de troca. 

Dois lojistas podem vender o mesmo produto, com o mesmo custo, e praticar preços completamente diferentes.

E mesmo nesse cenário, o que cobra mais pode converter melhor, porque construiu mais valor em torno do que vende.

Esse raciocínio tem uma consequência direta para quem decide competir pelo menor preço — e ela aparece mais rápido do que parece. 

Emerson Duarte, professor do Ecommerce na Prática, resume o que esse caminho costuma gerar na prática:

"Se eu escolho vender para um perfil de cliente que está buscando preço, fatalmente, vou ter que ficar amarrado em estratégia de preço mais barato. E esse é o pior caminho. O consumidor que compra mais barato, compra de você ou de quem vende ainda mais barato que você. Chega um momento que isso não se sustenta."

Emerson DuarteEmerson Duarte — Professor do Ecommerce na Prática

Como fazer pricing no seu Ecommerce?

Saber o que é pricing e por qual lógica ele funciona é metade do caminho. 

A outra metade é executar. E é exatamente isso que vamos fazer agora.

1. Mapeie todos os custos do seu produto 

Todo lojista sabe que precisa incluir o custo do produto no preço. 

O problema está no que fica de fora — e geralmente são os mesmos itens que aparecem no fechamento do mês como surpresa.

Para mapear com precisão, é importante ir além do custo de aquisição e considerar tudo que incide sobre aquela venda:

  • Embalagem e materiais de envio;
  • Frete (incluindo o custo de devoluções);
  • Taxas de marketplace ou plataforma;
  • Tarifas do gateway de pagamento;

Nenhum desses itens é opcional no cálculo. 

Quando ficam de fora, o preço parece certo até o momento em que a margem some — e aí já é tarde para corrigir sem impactar o cliente ou a operação.

Dentro dessa lista, um custo merece atenção especial: o estoque

Não por ser o mais difícil de calcular, mas por ser o que mais pesa no capital de giro.

Ariane Marta, contadora e sócia da Brasct Contabilidade, explica o impacto de não controlar isso desde o início:

"O maior custo no Ecommerce vai ser o CMV (Custo da Mercadoria Vendida), ou seja, o estoque. Controle o estoque desde o começo, porque estoque é dinheiro. Controlando o estoque, a gente sabe a necessidade de capital de giro e identifica produto encalhado."

ARIANE BRASCTAriane Marta — Contadora e Sócia da Brasct Contabilidade

2. Entenda o valor que o seu cliente enxerga no produto

Custo cobre o piso do preço. 

O que determina o teto é outra coisa: a percepção que o seu cliente tem do que está comprando.

Valor percebido é a soma de tudo que envolve a experiência de compra. Muita coisa entra nessa conta sem que o lojista perceba:

  • Velocidade e confiabilidade na entrega;
  • Qualidade da embalagem e apresentação;
  • Facilidade de troca e política de devolução;
  • Reputação e credibilidade da loja;
  • Qualidade do atendimento antes e após a venda.

 Entender o que o seu cliente valoriza nessa equação é o que permite precificar com inteligência, e não só com base no que o mercado pratica.

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3. Analise o mercado sem cair na armadilha de copiar o concorrente

Monitorar o que a concorrência cobra é parte do processo.

No entanto, usar esse número como ponto de partida é um erro; um bem comum, aliás. 

O problema de precificar a partir do concorrente é que você não tem acesso à estrutura de custo dele. 

Se ele pratica um preço que não sustenta a operação, copiar esse valor vai comprometer a sua margem também. 

E você só vai descobrir quando já for tarde.

O papel da análise de mercado é outro: servir como referência de contexto, não de decisão. 

Use os dados para entender:

  • Em qual faixa de preço o seu segmento opera;
  • Onde existe espaço para diferenciação;
  • Como o seu posicionamento se compara ao dos concorrentes diretos.

A pergunta certa não é "quanto o concorrente cobra?", mas sim "o que eu ofereço que justifica o preço que quero praticar?"

Quem responde a segunda pergunta com clareza raramente precisa depender da resposta da primeira.

4. Escolha sua estratégia de precificação por produto ou categoria

Antes de escolher qualquer estratégia, vale desfazer um atalho muito comum: aplicar o mesmo multiplicador em todo o catálogo.

Produtos com giro, margem e custos diferentes não podem ser tratados da mesma forma. 

O resultado quase sempre decepciona. Emerson Duarte, professor do Ecommerce na Prática, explica por quê:

"Cada produto precisa ser precificado individualmente. Às vezes, a gente pega e coloca assim: 'Ah, eu vou colocar o markup 2 em todo o meu estoque'. Mas, talvez, a conta não vá fechar."

Emerson DuarteEmerson Duarte — Professor do Ecommerce na Prática

Não existe uma resposta única.

Produtos de entrada, carros-chefe e itens premium podem seguir estratégias diferentes dentro do mesmo catálogo. 

Conheça as principais:

Estratégia Como funciona Quando usar
Preço por pacote Vende produtos em conjunto a um preço mais atrativo do que as peças separadas.
  • Aumentar ticket médio
  • Girar itens de menor saída
Premium Cobra mais para refletir exclusividade ou status. Exige consistência em toda a experiência de compra.
  • Marcas com diferenciais claros
  • Público disposto a pagar pelo valor percebido
Penetração Entra no mercado com preço baixo para ganhar volume e visibilidade.
  • Lançamentos de produto
  • Mercados competitivos — com plano de ajuste posterior
Skimming Lança com preço alto para capturar early adopters e reduz gradualmente.
  • Produtos com demanda de lançamento
  • Público que valoriza ser o primeiro
Preços baixos Pratica margens mínimas para atrair consumidores sensíveis a preço.
  • Operações com custo muito controlado
  • Estratégia focada em volume
Psicologia de preços Usa preços quebrados, ancoragem ou preços dinâmicos para influenciar a percepção de valor.
  • Recurso tático que potencializa qualquer outra estratégia

A escolha da estratégia certa começa com uma pergunta simples: o que esse produto representa dentro do meu negócio, e o que quero que ele faça pela minha margem?

5. Teste, meça e revise 

O mercado muda, os custos mudam, a percepção do cliente muda.

E o preço precisa acompanhar esse movimento.

Muitos lojistas entendem que revisar preço periodicamente é sinal de instabilidade, mas isso não é verdade. 

 O erro está em alterar o preço sem critério, não em alterá-lo por si só.

Alguns indicadores que merecem atenção constante:

  • Taxa de conversão: queda sem explicação de tráfego pode indicar que o preço está acima do que o cliente aceita pagar naquele contexto;

  • Margem real: se o lucro não aparece no fechamento mesmo com boas vendas, algum custo está sendo ignorado no cálculo;

  • Taxa de abandono de carrinho: preço alto na etapa final é uma das principais causas de desistência;

  • Movimentação dos concorrentes: não para copiar, mas para entender se o seu posicionamento continua fazendo sentido.

A frequência ideal de revisão varia por segmento, mas uma boa prática é revisar os preços ao menos a cada trimestre — ou sempre que houver mudança relevante nos custos, na demanda ou no mix de produtos.

Vale destacar também que revisar o preço por intuição é tão problemático quanto nunca revisá-lo. 

O feeling de que "o preço parece certo" não é um critério — é uma aposta. 

Matheus Tardin, fundador da YSY Acessórios, descobriu isso na prática e resume o princípio que passou a guiar as decisões do negócio:

"Uma coisa essencial que a gente aprendeu é que a internet é super intencional. Se você não tiver números, vai tomar decisão no achismo. E o que você acha muitas vezes não é o que se traduz pro cliente. Decisão tem que ser baseada em dados."

Matheus TardinMatheus Tardin — Fundador da YSY Acessórios

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As principais métricas de pricing para lojas virtuais

Para saber se o seu pricing está cumprindo o papel de vender e sustentar o negócio, você precisa medir.

Aqui, estão as principais métricas para acompanhar isso: 

1. Markup

É o índice aplicado sobre o custo do produto para chegar ao preço de venda. 

Simples de calcular e útil como ponto de partida — mas tem uma armadilha clássica: markup alto não garante margem saudável

Ele não considera impostos, comissões de plataforma, frete ou inadimplência. 

Um markup de 100% pode resultar em lucro real bem menor do que parece no papel.

2. Ponto de equilíbrio

Indica o volume mínimo de vendas para cobrir todos os custos — sem lucro, sem prejuízo.

É uma das métricas mais importantes para quem está definindo preço, porque deixa claro se o modelo é viável. 

Muitos calculam só com custos fixos e esquecem as variáveis. 

O ponto de equilíbrio real precisa considerar tudo que muda conforme o volume vendido.

3. Margem de contribuição

Margem de contribuição éo que sobra da receita depois de descontar os custos e despesas variáveis — e é esse valor que "sustenta" os custos fixos e gera lucro. 

Diferente do lucro bruto, ela mostra o quanto cada produto contribui para a saúde financeira da operação. 

Confundir as duas é um erro comum que leva a decisões de pricing equivocadas.

4. Taxa de desconto médio

Mede o percentual médio de desconto concedido nas vendas em um período.

 Ajuda a entender se os descontos estão se tornando um hábito que corrói a margem. 

A pegadinha: desconto parece pequeno individualmente, mas quando vira padrão — e o cliente começa a esperar por ele — você deixa de precificar e passa a negociar contra si mesmo.

O problema do desconto como hábito não é só financeiro, mas também de posicionamento

Quando o cliente aprende a esperar pelo cupom, a loja perde a capacidade de defender o preço cheio. 

A boa notícia é que existe um caminho diferente, e Babi Tonhela, consultora especialista em Ecommerce, explica como sair dessa lógica:

"A oferta nem sempre é desconto. Benefícios pode ser uma garantia, benefícios podem ser um presente, uma experiência exclusiva, qualquer coisa relacionada a isso. Você pode pegar uma oferta e aperfeiçoando ela, não é só desconto."

Babi Tonhela QUOTEBabi Tonhela — Consultora especialista em Ecommerce

5. Taxa de conversão por produto

Mede quantos visitantes que viram um produto de fato compraram. 

No contexto de pricing, é um termômetro valioso: conversão baixa pode indicar preço desalinhado com a percepção de valor ou com o mercado. 

Vale monitorar por categoria, porque um produto de ticket alto naturalmente converte menos — e isso não é sinal de problema.

6. Ticket médio

Esse é o valor médio gasto por pedido

Acompanhar essa métrica ao longo do tempo revela se a estratégia de pricing está gerando vendas mais ou menos lucrativas. 

A pegadinha: ticket médio alto não significa rentabilidade

Um pedido grande com muitos custos atrelados — frete pesado, desconto agressivo, produto de baixa margem — pode ser menos saudável do que um pedido menor e mais limpo.

7. CAC e LTV

O CAC (Custo de Aquisição de Cliente) e o LTV (Lifetime Value) precisam ser lidos juntos. Sozinhos, dizem pouco. 

Juntos, respondem a pergunta central: o cliente que você está conquistando vale o que está custando para trazê-lo? 

Se o LTV é baixo e o CAC é alto, o pricing pode estar certo — mas o modelo de negócio não. 

É uma métrica que extrapola o preço e revela a saúde da estratégia como um todo.

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Como criar uma cultura de pricing no seu negócio?

A maioria dos lojistas define o preço uma vez e só volta a ele quando algo dá errado.

Isso não é gestão de pricing: é reação. E reagir sempre custa mais caro do que antecipar.

Criar uma cultura de pricing não exige um time de analistas. 

Exige método e consistência — e esses dois elementos estão ao alcance de qualquer operação, independente do tamanho.

🔵 O que uma cultura de pricing significa na prática:

  • Cada ajuste tem uma justificativa documentada — custo, concorrência, percepção de valor, sazonalidade. Mesmo que seja uma anotação simples numa planilha;

  • Defina uma frequência (mensal ou trimestral) para revisar preços por categoria. Não espere o problema aparecer;

  • Fornecedor aumentou? Frete subiu? O preço precisa ser revisto junto. Custo e preço andam em sincronia;

  • Antes de dar qualquer desconto, você sabe qual é o impacto na margem. Desconto sem essa clareza é prejuízo disfarçado de promoção;

  • Se você tem colaboradores, eles precisam saber por que o preço é o que é — principalmente quem lida com o cliente. Vendedor que não entende a lógica de preço não consegue sustentar o valor.

O ponto de virada costuma ser simples: parar de tratar o pricing como uma tarefa pontual e começar a tratar como um processo. 

Não precisa ser complexo, mas precisa ser recorrente.

Um lojista que revisa seus números todo mês, mesmo que por 30 minutos, toma decisões melhores do que aquele que só olha para o preço quando a conta não fecha. 

Você já sabe vender — aprenda a fazer isso todos os dias, não só quando o algoritmo ajuda!

Vendas que aparecem um dia e somem no outro não são consequência de um mercado difícil — são sinal de que falta estrutura. 

O Ecommerce na Prática mostra o caminho para sair do improviso e transformar o que você já faz bem em algo que funciona todos os dias. 

Na escola Ecommerce na Prática, o foco é mostrar o caminho para dominar cada parte da operação. 💙 

Ao se tornar nosso aluno, você tem acesso a:

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Perguntas Frequentes

Pricing e precificação são a mesma coisa?

São, sim. Pricing é o termo em inglês para precificação. Na prática, os dois descrevem o processo de definir preços de forma estratégica — considerando custos, mercado e valor percebido pelo cliente.

Como saber se meu preço está certo?

Três sinais indicam que sim: sua margem de contribuição está positiva, a conversão está estável e o ticket médio cresce. Se algum deles cai sem causa externa, é hora de revisar.

Posso praticar pricing sem uma ferramenta especializada?

Sim. Uma planilha bem estruturada resolve para a maioria das operações. O que não pode faltar é disciplina para revisar os números com regularidade — ferramenta nenhuma substitui esse hábito.

Qual é a diferença entre markup e margem de contribuição?

Markup é o índice aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Margem de contribuição é o que sobra depois dos custos variáveis — e é ela que sustenta o negócio de verdade.

Como competir em preço com lojas grandes e marketplaces?

Competir no preço com grandes varejistas é uma batalha que lojas menores raramente ganham. O caminho é competir pelo valor: nicho definido, experiência de compra e atendimento que eles não conseguem oferecer.